Archive for Junho, 2008

I Am Watching You

Eram dois. Não tão grandes, mas ganhavam espaço enquanto eram observados. E ao mesmo tempo em que eram olhados com tanto receio e, digamos, desejo, eles observavam também. Eram redondos e bem marrons, mas não escuros. Não havia nenhuma ponta de mistério ou prazer, ou qualquer coisa que os tornassem luxuriosos. Pareciam de uma criança e o mais intrigante é que ali já não havia crianças.

O mais interessante.

Eles nem estavam presentes, de fato. Mas nunca estavam longe. Nunca piscavam. Sempre ali, em dois, em par. Sempre do jeito que o observado desejava estar..

E ’sempre’ é tanto tempo.

A menina se abraçou por um segundo. Estivera evitando por tanto tempo fechar os olhos que a imagem já a assombrava de olhos abertos. Não havia como fugir, não havia para onde correr. E mesmo que desejasse, correr não ia resolver absolutamente nada. Afinal, os problemas estavam ali, tomando conta de tudo, assim como os dois olhos que a encaravam.

O mais assustador de tudo – e ela quase se deixou temer por isso – era o fato de ela ser a observadora. Ela olhava e procurava durante todo o maldito dia, e então, quando os olhos retribuíam, era apenas mais um detalhe formado em sua pequena assombração. Ela atraía o monstro, ela atraía o medo, ela atraía a dor. Ele nunca a procurou e nem a procuraria por ele mesmo; Só as demonstrações de reconhecimento bastavam. Era só isso que a fazia enlouquecer.

Um olhar.

Um cumprimento.

Uma despedida.

Um ‘afaste-se’.

E então, como vão os batimentos agora?

Até Logo.

3 comments Sexta-Feira, Junho 20, 2008

Life ‘Sux’ [Mona talks to Jacob]

CENA: Uma rua em Kensington. Mona Lisa andando sozinha.

Fazia uma manhã fria como sempre naquela cidade, e a neblina insistente poderia ser considerada quase que escassa comparada aos padrões de Kensington. Mona Lisa não sabia ao certo o que estava fazendo enrolando-se no seu casaco fino, tentando gerar um mínimo de calor, e caminhando pelo cimento da rua solitária. Ela não sabia nem que motivo em especial obrigava seus pés a moverem-se, arrastando em uma linha reta até aquele lugar. Em seu íntimo, sabia que não havia nenhuma razão concreta além do seu desejo; nada além de capricho. Contudo, algo ecoava em sua mente, um pouco mais racional do que seus instintos, e Mona podia acreditar que era um motivo maior. Quando se apoiou na parede de concreto, respirando fundo algumas vezes, ela se prendeu a isso de uma forma muito além de humana; como se de repente precisasse de forças. Seus dedos estavam um pouco mais gelados, e não por causa da temperatura. O nervosismo era um reflexo. Mona Lisa não se importaria de falar mil vezes – ou mil vezes e meia – as coisas que se passavam pela sua mente, mas dessa vez era importante. Ela sabia que era; ela sentia a importância disso crescendo diante de seus olhos (e dentro de si).

Ela encarou seus dedos por um momento, prendendo-se na aparência de sua pele. Tentou divagar sobre sua própria imagem – estou com tanta aparência de velha, assim? –, mas não conseguiu. Suspirou. As ações eram assim, sempre inúteis e quase sempre também mal realizadas. Uma tortura o que estava vivendo. E nem era tão ruim. Era só um capricho qualquer – ou não? – era só uma tentativa de fazer as coisas nunca mais saírem dos eixos, porque era simplesmente asfixiante – e isso, mais do que uma qualidade, é quase como uma benção – quando elas estavam do jeito que estavam agora. Funcionando. Bem.

Abriu a porta, encarando o local. Lembrou-se quando prometera, não exatamente ali, mas na cidade de qualquer forma, que nunca mais voltaria. Lembrou-se de como havia se sentido por tanto tempo, odiando tudo que tivesse relacionado à Kensington, e quase que a si mesma. E ela estava ali, construindo a sua vida exatamente do mesmo jeito que sua mãe fizera. “Pelo menos”, ela pensava enquanto tentava se livrar da vergonha disso, “não sou exatamente como a minha mãe”.

- O que há? – Jacob se aproximou dela, beijando-lhe os lábios fraternalmente, mas tendo as mãos e o tempo ocupados demais para dedicar uma atenção maior.

- Olá, Jake. – ela disse, com um sorriso enviesado, já tentando desviar a atenção das razões de sua visita inesperada, enquanto ele se virava abandonando a bandeja na bancada do local.

- Olá. – ele respondeu sorrindo, e voltou-se a dedicar ao seu trabalho.

Mona mexeu seus dedos à sua frente, refletindo por alguns fragmentos de segundo, e voltou a se aproximar, dessa vez do outro lado do balcão. Ela permitiu-se tocar em Jake, e ele olhou-a nos olhos. Por que seus olhos estavam ardendo tanto?

Havia tempos que Mona não chorava tão inesperadamente, e a lágrima que molhou sua face fora muito mais do que apenas uma surpresa, fora quase como um susto para o homem. Jacob passou seu polegar pela bochecha macia e lisa – quase a mesma da menina que ela fora há alguns anos – e ela sorriu, deixando que ele se sentisse um pouco relaxado.

- O que houve com você? – perguntou.

- Eu estava passando.. Bem, não. – ela balançou a cabeça negando seja lá o que estivera prestes a afirmar.

Aí estava a coisa importante, saindo dela. Ela estava transformando em palavras apenas para drenar a si mesma, porque aquilo era mesmo asfixiante.

Jacob esperou. Esperaria, de qualquer modo, mais do que por não ter nada a fazer – os clientes do café não pensavam assim – mas porque essa era a prioridade. Ele seguiu com sua mão até os fios curtos da mulher, olhando-a por um instante interminável, e usando seus dedos para dedilhar a alma de Mona.

- Eu queria agradecer.. – começou, encarando os olhos claros dele reconhecendo o seu menino – Obrigada por ser meu amigo.. Cuidar de mim, me escutar, e todas essas coisas incríveis que você tem feito nos últimos anos.

Ele a abraçou, ela se afogando em sua camisa, e deixou que ela aproveitasse de seu próprio calor. E quase que como um silêncio, seus lábios se moveram sobre a cabeça da garota, proferindo uma confissão amargurada e tão bem conhecida aos seus ouvidos e mente.

Ele disse:

- Eu sou seu irmão; se somos algo no fim. Você sabe o quão mais irmã você é para mim do que qualquer outra pessoa no mundo.

Ele disse:

- Não se sinta grata por aquilo que eu faço com prazer. Cuidar de você é tê-la por perto, ouvir sua voz doce ecoando grosserias, e todas as coisas banais que eu faço para lembrar a mim mesma que você está viva. Não se sinta grata porque eu estou por perto, se no final é só por você ser você, que me tem como um imã.

E então, silenciando as palavras contra a camisa de Jacob, Mona proferia em um vazamento de sua mente e coração:

- Se eu pudesse ser Bruce, para aliviar a dor que você sente em amá-lo, eu seria. Se eu pudesse ser sua irmã, em vez dele, eu seria; Por você, faria isso mil vezes.

Ela disse, havia dito, repetiria quantas vezes fossem necessárias.

Ela agia como julgava dever, e era isso que ela significava, e o tamanho da sinceridade nisso era quase doloroso.

- A vida é uma merda para nós.

Até Logo.

1 comment Domingo, Junho 8, 2008

Abrindo O Embrulho

“As palavras parecem pesadas aqui no wordpress. Elas demoram a aparecer na caixa, e empurram demoradamente uma às outras. Terrivelmente parecido com a realidade, elas se empurram do mesmo jeito, na minha cabeça.”

Murdering Shakespeare merece um espaço um pouco maior do que já possui, perdão.

E lá vamos nós. De novo.

Até Logo.

1 comment Quarta-feira, Junho 4, 2008


Quote

Those who bring sunshine into the lives of others cannot keep it from themselves. J.M. Barrie

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