Archive for Junho, 2008
Crap
N/A: Um tipo de fic-diálogo, sem narração. Eu acho que ficou MUITO confuso, mas eu queria postar de qualquer forma. Pra facilitar eu coloquei as falas de um em itálico, porque ficou realmente muito abstrato. Lá vai x)
- Lixo.
- O que diabos há com você?! Por que você rasgou?! Era minha história e eu nem ao menos havia a datilografado!
- É lixo; Não quero que ninguém mais seja obrigado a ler essa merda.
- Você só pode estar brincando..
- É uma história bonita, sem dúvidas. E, contudo, foi escrita como se não valesse nada.
- Eu trabalhei nisso!
- Eu não sou seu professor, não precisa fingir para mim.
- Vá à merda, então. Está dizendo que suas histórias são bem melhores?
- Não as histórias. Mas, sem dúvidas, eu escrevo muito melhor do que você.
- Oras!
- Eu estou falando sério. Olhe as suas palavras.. Deus! Puro lixo.
- Você pode parar de me criticar tão sem fundamentos e educação?
- Eu cuido da educação. Há fundamentos, entretanto. Você é muito simplório na escrita.
- E do que me adianta escrever uma história que ninguém vai entender, uh?
- Ao menos você escreve uma história e não simplesmente a conta.
- Está me dizendo que há diferença nisso? Você está definitivamente drogado.
- Claro que estou.
- Então..
- Então nada. Apenas reflita sobre isso. Você quer que as pessoas entendam ou que elas gostem?
- E é possível gostar de alguma coisa sem ao menos entendê-la?
- Você gosta de mim.
- Eu entendo você.
- Então, você gosta de mim?
- Achei que isso havia ficado implícito.
- Ah..
- …
- Certo. Mas você não me entende.
- Claro que entendo.
- Não, nem um pouco. Ao menos sabe por que eu estou dizendo que você é péssimo com a escrita?
- Para diminuir o meu ego e confiança em mim mesmo?
- Não.
- Claro que é. Você queria que eu me sentisse vulnerável, afinal, você gosta de mim, só não havia percebido que eu gosto de você.
- Se eu gostasse de você, iría querer vê-lo com uma auto-estima deplorada?
- Isso seria bem você.
- Você nem ao menos me conhece para me entender, o que nos leva ao ponto inicial. Você quer que eles gostem ou que eles entendam?
- Está mesmo um lixo?
- O que você quer que eu diga?
- Foi para você.
- …
- …
- Lixo.
- Então, você entendeu.
- É. Entendi.
- Então, você sabia que era retribuído?
- Sim.
- Então, qual é o sentido dessa conversa?
- Isso foi no mínimo lindo.
- O que?
- Essa conversa.
- Ah.
- Eu vou escrever.
- Como se alguém fosse nos entender.
- Você não esteve me ouvindo, esteve? Eles vão gostar.
1 comment Segunda-feira, Junho 23, 2008
I Am Watching You
Eram dois. Não tão grandes, mas ganhavam espaço enquanto eram observados. E ao mesmo tempo em que eram olhados com tanto receio e, digamos, desejo, eles observavam também. Eram redondos e bem marrons, mas não escuros. Não havia nenhuma ponta de mistério ou prazer, ou qualquer coisa que os tornassem luxuriosos. Pareciam de uma criança e o mais intrigante é que ali já não havia crianças.
O mais interessante.
Eles nem estavam presentes, de fato. Mas nunca estavam longe. Nunca piscavam. Sempre ali, em dois, em par. Sempre do jeito que o observado desejava estar..
E ’sempre’ é tanto tempo.
A menina se abraçou por um segundo. Estivera evitando por tanto tempo fechar os olhos que a imagem já a assombrava de olhos abertos. Não havia como fugir, não havia para onde correr. E mesmo que desejasse, correr não ia resolver absolutamente nada. Afinal, os problemas estavam ali, tomando conta de tudo, assim como os dois olhos que a encaravam.
O mais assustador de tudo – e ela quase se deixou temer por isso – era o fato de ela ser a observadora. Ela olhava e procurava durante todo o maldito dia, e então, quando os olhos retribuíam, era apenas mais um detalhe formado em sua pequena assombração. Ela atraía o monstro, ela atraía o medo, ela atraía a dor. Ele nunca a procurou e nem a procuraria por ele mesmo; Só as demonstrações de reconhecimento bastavam. Era só isso que a fazia enlouquecer.
Um olhar.
Um cumprimento.
Uma despedida.
Um ‘afaste-se’.
E então, como vão os batimentos agora?
Até Logo.
3 comments Sexta-Feira, Junho 20, 2008
Life ‘Sux’ [Mona talks to Jacob]
CENA: Uma rua em Kensington. Mona Lisa andando sozinha.
Fazia uma manhã fria como sempre naquela cidade, e a neblina insistente poderia ser considerada quase que escassa comparada aos padrões de Kensington. Mona Lisa não sabia ao certo o que estava fazendo enrolando-se no seu casaco fino, tentando gerar um mínimo de calor, e caminhando pelo cimento da rua solitária. Ela não sabia nem que motivo em especial obrigava seus pés a moverem-se, arrastando em uma linha reta até aquele lugar. Em seu íntimo, sabia que não havia nenhuma razão concreta além do seu desejo; nada além de capricho. Contudo, algo ecoava em sua mente, um pouco mais racional do que seus instintos, e Mona podia acreditar que era um motivo maior. Quando se apoiou na parede de concreto, respirando fundo algumas vezes, ela se prendeu a isso de uma forma muito além de humana; como se de repente precisasse de forças. Seus dedos estavam um pouco mais gelados, e não por causa da temperatura. O nervosismo era um reflexo. Mona Lisa não se importaria de falar mil vezes – ou mil vezes e meia – as coisas que se passavam pela sua mente, mas dessa vez era importante. Ela sabia que era; ela sentia a importância disso crescendo diante de seus olhos (e dentro de si).
Ela encarou seus dedos por um momento, prendendo-se na aparência de sua pele. Tentou divagar sobre sua própria imagem – estou com tanta aparência de velha, assim? –, mas não conseguiu. Suspirou. As ações eram assim, sempre inúteis e quase sempre também mal realizadas. Uma tortura o que estava vivendo. E nem era tão ruim. Era só um capricho qualquer – ou não? – era só uma tentativa de fazer as coisas nunca mais saírem dos eixos, porque era simplesmente asfixiante – e isso, mais do que uma qualidade, é quase como uma benção – quando elas estavam do jeito que estavam agora. Funcionando. Bem.
Abriu a porta, encarando o local. Lembrou-se quando prometera, não exatamente ali, mas na cidade de qualquer forma, que nunca mais voltaria. Lembrou-se de como havia se sentido por tanto tempo, odiando tudo que tivesse relacionado à Kensington, e quase que a si mesma. E ela estava ali, construindo a sua vida exatamente do mesmo jeito que sua mãe fizera. “Pelo menos”, ela pensava enquanto tentava se livrar da vergonha disso, “não sou exatamente como a minha mãe”.
- O que há? – Jacob se aproximou dela, beijando-lhe os lábios fraternalmente, mas tendo as mãos e o tempo ocupados demais para dedicar uma atenção maior.
- Olá, Jake. – ela disse, com um sorriso enviesado, já tentando desviar a atenção das razões de sua visita inesperada, enquanto ele se virava abandonando a bandeja na bancada do local.
- Olá. – ele respondeu sorrindo, e voltou-se a dedicar ao seu trabalho.
Mona mexeu seus dedos à sua frente, refletindo por alguns fragmentos de segundo, e voltou a se aproximar, dessa vez do outro lado do balcão. Ela permitiu-se tocar em Jake, e ele olhou-a nos olhos. Por que seus olhos estavam ardendo tanto?
Havia tempos que Mona não chorava tão inesperadamente, e a lágrima que molhou sua face fora muito mais do que apenas uma surpresa, fora quase como um susto para o homem. Jacob passou seu polegar pela bochecha macia e lisa – quase a mesma da menina que ela fora há alguns anos – e ela sorriu, deixando que ele se sentisse um pouco relaxado.
- O que houve com você? – perguntou.
- Eu estava passando.. Bem, não. – ela balançou a cabeça negando seja lá o que estivera prestes a afirmar.
Aí estava a coisa importante, saindo dela. Ela estava transformando em palavras apenas para drenar a si mesma, porque aquilo era mesmo asfixiante.
Jacob esperou. Esperaria, de qualquer modo, mais do que por não ter nada a fazer – os clientes do café não pensavam assim – mas porque essa era a prioridade. Ele seguiu com sua mão até os fios curtos da mulher, olhando-a por um instante interminável, e usando seus dedos para dedilhar a alma de Mona.
- Eu queria agradecer.. – começou, encarando os olhos claros dele reconhecendo o seu menino – Obrigada por ser meu amigo.. Cuidar de mim, me escutar, e todas essas coisas incríveis que você tem feito nos últimos anos.
Ele a abraçou, ela se afogando em sua camisa, e deixou que ela aproveitasse de seu próprio calor. E quase que como um silêncio, seus lábios se moveram sobre a cabeça da garota, proferindo uma confissão amargurada e tão bem conhecida aos seus ouvidos e mente.
Ele disse:
- Eu sou seu irmão; se somos algo no fim. Você sabe o quão mais irmã você é para mim do que qualquer outra pessoa no mundo.
Ele disse:
- Não se sinta grata por aquilo que eu faço com prazer. Cuidar de você é tê-la por perto, ouvir sua voz doce ecoando grosserias, e todas as coisas banais que eu faço para lembrar a mim mesma que você está viva. Não se sinta grata porque eu estou por perto, se no final é só por você ser você, que me tem como um imã.
E então, silenciando as palavras contra a camisa de Jacob, Mona proferia em um vazamento de sua mente e coração:
- Se eu pudesse ser Bruce, para aliviar a dor que você sente em amá-lo, eu seria. Se eu pudesse ser sua irmã, em vez dele, eu seria; Por você, faria isso mil vezes.
Ela disse, havia dito, repetiria quantas vezes fossem necessárias.
Ela agia como julgava dever, e era isso que ela significava, e o tamanho da sinceridade nisso era quase doloroso.
- A vida é uma merda para nós.
Até Logo.
1 comment Domingo, Junho 8, 2008
Abrindo O Embrulho
“As palavras parecem pesadas aqui no wordpress. Elas demoram a aparecer na caixa, e empurram demoradamente uma às outras. Terrivelmente parecido com a realidade, elas se empurram do mesmo jeito, na minha cabeça.”
Murdering Shakespeare merece um espaço um pouco maior do que já possui, perdão.
E lá vamos nós. De novo.
Até Logo.
1 comment Quarta-feira, Junho 4, 2008