Dreaming About Teeth 002
Quinta-feira, Julho 24, 2008
Por James B. W.
Os insetos ressoavam em seus zumbidos e piados típicos do horário. O céu estava mais escuro do que seria capaz na cidade, mas Sai estava satisfeita com o ar do campo que se espalhava pelo seu sítio. Julian, Edwin e John estavam certamente trabalhando na louça do jantar que as meninas haviam preparado, e mesmo que tenha passado pelas suas mentes reclamar, elas haviam cortado essa possibilidade com olhares fulminantes.
Sai aproveitara a atenção momentânea dedicada por suas amigas a algum objeto velho achado em sua própria casa para se esconder na varanda. Dessa forma, não teria de ouvir o som dos copos e pratos se estilhaçando, apesar de ter certeza plena que era exatamente o que estava acontecendo.
Talvez, ela pensou, estivesse mesmo se tornando uma romântica irrecuperável, tomando a bebida fermentada quando todos se enlouqueciam com algumas garrafas destiladas e esperando que ele irrompesse ali fora a qualquer momento. Com as mãos sujas de sabão e um sorriso estúpido, perguntando por que ela estava tão longe e tão sozinha. Seria um plano perfeito para não provocar nada além de uma sensação agradável, subindo pelo seu tórax até corar suas bochechas. Era engraçado como tudo parecia ter sido monumentalmente planejado visto que eram quase três casais. E o maldito quase pela falta de relação entre Sai e John. Ela chegou a pensar que sua mente estivera pregando peças nela, a confundindo antes mesmo que conseguisse se decidir sobre os seus sentimentos e a empurrando sem escapatória para o caminho do platonismo – como se ela mesma não estivesse entregue a ele. Mas Sai estava feliz quando John se aproximava e dizia coisas banais; Feliz o suficiente para não se incomodar com a espera.
“Ei..” E as duas letras flutuaram pelo ar puro, encostando-se no ouvido de Sai como uma melodia.
Ela sorriu e se virou, sustentando o sorriso como um cumprimento, mas sabendo que ele tinha outra razão.
John caminhou com as mãos pingando água e sabão pelo chão vermelho-tijolo que manchava os pés. Sentou-se na rede ao lado dela e com a mudança na estabilidade do pano, Sai pendeu para o seu lado, virando a taça alguns milímetros e derrubando um pouco do líquido em sua calça. Estava um pouco mais perfeito que o plano de sua mente.
“Merda, John!” praguejou.
Ele revirou os olhos e dirigiu as mãos ensaboadas para o joelho da menina, tentando inutilmente livrá-la daquela cor de sangue. Sai achou um tanto absurdo o modo como ele arruinara as coisas e estava arruinando sua calça, mas não haveria um mundo em que ela pudesse pedi-lo para se afastar ou parar de tocá-la. Na verdade, ela chegou a quase dizer isso, antes que ele se irritasse com a sua própria performance e começasse a ser mais vigoroso nos toques. Então, distância parecia tão dolorosa quanto na maior parte do tempo de novo.
“Desculpe.” Ele pediu, começando a rir em um quase silêncio. “Você está bem?”
“Você só molhou a minha calça. Foi estúpido, mas não é como se eu fosse começar a me sentir mal por isso.” Sai riu junto, encarando os olhos amendoados pelo segundo em que o rosto se virou para ela, e suspirando pelo próximo.
“É só que.. Você está quieta. E isso está uma desgraça.” Ele se afastou novamente, deixando a tarefa de lado ao perceber que Sai não ligava para o estado da calça, de qualquer forma.
“Eu estou bem. E a calça vai ficar.” Ela sorriu e bebeu mais um gole do vinho, antes de estalar os lábios e começar a falar olhando para o céu.
“Quando eu era menor, vir para o sítio significava estar sem horários. Para comer, dormir, ou todo o resto. E eu gostava disso, porque de fato quem controlava meus horários era a empregada, e soava muito como regras para mim. Desde já eu era acostumada aos padrões da minha mãe. Viver por aí, vivendo..” Sai olhou para John, para ver se ele se perdera nas palavras ou ainda estava a acompanhando e ele fez um sinal com a cabeça para que continuasse.
“Então, quando mamãe e papai dormiam ou ficavam conversando na sala, eu deixava a luz de dentro acesa e apagava a da varanda, como agora, porque eu tinha medo do escuro. Eu sentava aqui e ficava olhando para o céu, encolhendo a minha visão para que só pudesse enxergar a escuridão a minha frente e os pontinhos luminosos. E eu não sentia medo, porque a luz estava às minhas costas, e eu podia me aventurar em enxergar somente o céu. E era como se não só não houvesse horários para as minhas tarefas, mas como também não houvessem tarefas..“ Sai suspirou, perdida no céu por mais um instante. “Soa estúpido, porque o momento especial de todas as pessoas é quando não há mais nada além deles e o mundo. Mas eu acho que é aí que está o ponto.”
O silêncio contornou o lugar e Sai começou a se perguntar porque havia dito tudo aquilo. Parecia bem estúpido falar tanto de si sem nenhum motivo particular, e foi quando Sai começou a se sentir estúpida. Não que ela não se sentisse assim toda vez que John estivesse por perto, mas ela achava justo citar. E frisar.
“Você tem medo de escuro?” Ele perguntou, fazendo-a arquear a sobrancelha.
“Um pouco.” Confessou.
“Mas quando ficam sozinhas de verdade, as pessoas sofrem. É por isso que você tem medo, você não consegue enxergar ninguém se as luzes estão apagadas.” John suspirou. “E quando você sabe que tem alguém lá, então, você segue. Porque ser sozinho é o melhor sonho e o pior pesadelo.”
Sai sorriu enquanto John usava as pernas para balançar a rede. Ele não viu, porque também estava sonhando com a solidão, mas Sai estava exibindo o seu melhor sorriso para o céu. Ela pensou por um segundo, repetindo a voz na sua mente um milhão de vezes ou quantas forem necessárias.
“Na verdade, você quem é. O pior pesadelo favorito.” Ela pensou, mas aí estava outra coisa que ele não saberia.
To be continued..
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1.
Fabricio | Segunda-feira, Julho 28, 2008 at 3:23 am
-_-’
Cacete! Poderia pelo menos terminar a historia?
Ou seria incomodo demais?
Mas falando serio agora.
Sei que não nos falamos, mas acho que me deve o final dessa historia… Sei lá o porque.
Pensa aí o que pode fazer por um leitor, já que amigo está bem longe…
Pensei que ia continuar escrevendo sem eu ter que vir falar alguma coisa… Mas…
E se puder, não escreva com má vontade. Não estrague-a logo agora.
Espero que posso fazer isso, realmente espero!
Afinal, sou somente um leitor orgulhoso…