O Monólogo de Anita 001
Quarta-feira, Outubro 1, 2008
Querida Megan,
O tempo está perigosamente quente durante os últimos dias. Estive na mansão dos Jones e, eu e Charlotte tivemos de trocar os vestidos por bermudas. Mesmo assim, passamos o dia sobre a grama do jardim. Ela me disse sobre uma viagem que seus pais pretendiam fazer à Alemanha e eu tentei convencê-la a ir com eles e visitar você, mas Lousie achou uma má idéia. Sua boca pronunciou “Por causa do senhor Rutherford”, mas eu podia jurar que sentia que seria má idéia por nossa causa. Lousie ainda está tendo dificuldades nesse assunto, mas não é tão ruim. Ao menos, a senhora Anne-Joulie se sentiu motivada a conversar com as duas, e Charlotte me disse que ela foi extremamente delicada e amorosa ao falar de nós. Fico feliz por ambas poderem contar com uma mamãe tão inteligente.
Já por aqui, as coisas continuam dolorosas. Não tanto para mim, mas mamãe está trancada no quarto desde o estrondo da véspera de sua partida, até hoje. Tem comido pouco e, apesar de Angela estar trabalhando para agradá-la, recusa-se a sair. Entretanto, você a de concordar comigo quando eu digo que é melhor para mim desse modo, não?
Cherie disse-me que as pessoas estão a olhando estranhamente no externato. Ela concordou que eu deveria esperar mais um pouco para voltar às aulas, e como ninguém olha pra mim tempo suficiente para me dar ordens em casa, eu farei isso. Por isso, estou copiando suas lições.
Gael cortou a boca em algum lugar, mas recusou-se a me contar. Eu o ajudei com os curativos, já que ele chegara mais uma vez muito tarde e Angela já havia se deitado. Perguntei a Cherie, mas ela pareceu estar mentindo ao dizer não saber de nada. Ou talvez eu esteja um pouco paranóica.
Ontem passei pelo portão de sua mansão. Lousie disse ter visto sua mamãe, mas eu me distraí olhando as roseiras. Eu não sei se isso é possível, mas uma rosinha branca desabrochou entre as suas vermelhas. Acho que o seu jardim também sente sua falta.
Toda a cidade perdeu um pouco com a tua partida, minha querida. Lousie tem estado ríspida, mas ela só não quer demonstrar quanta falta sente. As ruas estão mais acinzentadas e nem o Sol forte tem feito os gramados verdes resplandecerem. Os dias parecem ser noites sem a beleza das estrelas e, mesmo que eu tenha forçado, todos os sabores se parecem com pedra.
Gael só falou comigo mais uma vez desde o início da semana, além do dia em que eu o ajudei com o curativo. Ele me pareceu hesitante, mas eu tive que me manter forte para não chorar. Ele disse “Se você diz que a ama, eu acredito em você” e se ofereceu para postar cartas para você. Propositalmente ou não, eu passei a suportar melhor a nossa distância; Se meu irmão aceitou e compreendeu, isso nos aproxima de que, eventualmente, nossos pais superem, ao menos.
Acabei de parar alguns minutos para pensar na palavra certa para uma despedida e olhei pela janela. O céu está claro de estrelas opacas e duas delas se jogaram atrás do meu jardim. Eu fiz dois desejos:
I. Pedi que você voltasse para perto de mim;
II. Que, se o meu pedido anterior não pudesse ser realizado, você me esquecesse e fosse feliz na Alemanha.
Da sempre, sempre tua,
Anita Márquez.
Ps.: A rosa branca da tua roseira é um presságio. Do meio do nosso amor ainda há de vir Paz algum dia.
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