O Monólogo de Anita 003

Quinta-feira, Novembro 20, 2008

Querida Megan,

Ocorreu-me agora que não disse nem sequer uma única vez na minha carta anterior que te amava. Pois peço que me perdoe por, ao me inebriar com o sentimento, esquecer de nomeá-lo; Eu te amo.

Estou enviando uma fotografia. Charlotte convenceu-me a ir à Feira de Arte e a tiramos lá. Foi um passeio com pouco sentido já que não estou freqüentando as aulas, mas diverti-me um pouco.

Mamãe saiu do quarto na quarta-feira. Ela não me olhou nos olhos, mas pediu para que eu voltasse ao colégio na segunda-feira e me comunicou que eu não poderia mais ir à casa de Charlotte, mas se quisesse passear na quadra com elas, poderia se convencesse Angela a me acompanhar. Não pode dizer se Lousie sentiu, mas Charlotte estava aborrecida quando Gael a encontrou. Ele chegou sorrindo em casa e tem sido muito gentil comigo, o que me leva a crer que ele esteja superando, enfim. Não sei ao certo como explicar, mas Gael sempre me pareceu muito livre de qualquer conceito conservador demais.

Angela voltou a falar comigo normalmente, e desejou-me uma “Boa noite, minha pequena” ontem à noite. Estou me sentindo um pouco menos triste.

Chegou um mensageiro da Família Kaulitz na quinta-feira. Gael foi grosso com ele, mas mamãe o recebeu. Eu fui proibida de descer até que ele se retirasse e meu irmão não quis dizer-me nada sobre o assunto. Angela chegou a disser que o que quer que acontecesse, eu deveria ser grata. Não estou gostando muito, pois acho que o senhor Kaulitz resolveu enfim, pedir a minha mão para um de seus filhos. Talvez eu force um pouco mais Gael. Ele tem de me contar qualquer coisa.

Sinto sua falta.

Não pude mais passar por perto de sua casa, então estou sentindo falta dos portões e do jardim também. Tudo que me possa lembrar você está sendo retirado de mim, mas não fique triste querida, você é o meu amorzinho. Eu carrego você no meu coração e isso eles não poderão me tirar. Enquanto eu existir, eu te amarei, sem portões ou paredes; Um amor sem fronteiras, sem saudades, sem distância.

Estive pensando, na noite anterior a sua partida, o que mais me faria falta. Até agora, o mais tenho notado é a tristeza constante que ficou para trás, nessa cidade. Sem saber, minha Meg, você era todo o brilho e alegria que meus olhos percebiam. Canto a sua música a todo o instante e estou me empenhando nas minhas lições de arte, para poder gravar o seu rosto em um pouco mais do que minha memória, já que sua fotografia foi tirada de mim. Não que eu possa esquecer o seu rosto, mas desejo olhar para fora de mim e também te ver, nem que em uma pintura mal feita.

Talvez eu peça a Gael. Ele formou-se finalmente no curso de artes, mesmo contra a vontade de mamãe.

Agora escreverei a carta de Charlotte, que Gael entregará para mim, assim como tem postado as tuas.

Com amor,

Anita Márquez

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