Jimmy e Seu Fantástico Vício Pornô.
A História de Murdering Shakespeare
Por James B.W.
Era uma vez um homem chamado James Matthew Barrie. Ele era pequeno, não sentia desejo sexual por mulheres – e nem por homens, diga-se de passagem -, e tinha uma criatividade incrível. Passou parte de sua vida escrevendo peças teatrais (os únicos momentos em que ele não escrevia ou imaginava as cenas para escrevê-las depois eram durante suas 8h de sono). Devido à pressões sociais, durante a montagem de uma peça particularmente famosa, ele decidiu casar-se. E apenas escolheu sua noiva, pelo fato dela possuir a mesma baixa estatura que ele.
Mudaram-se então para Kensington, e Barrie – uma criança, no corpo de uma criança, com uma idade adulta – comprou um cachorro para sanar a vontade de ser mãe de sua querida esposa. Passou a passear com o cão nos Jardins de Kensington, e encontrou lá as primeiras pessoas que despertaram desejo sexual em si. Os cinco filhos da família Llewellyn Davies. Não me lembro bem agora, mas creio que na época o mais velho tinha apenas cinco anos, e Peter ainda estava a caminho.
Barrie se aproximou como um amigo – e é tudo que afirmam as pessoas cegas até hoje -, invadindo a vida dos Davies com uma classe detestada por Arthur (o pai), e adorada por Sylvia (a mãe burra, coitada). Nesse convívio ele criou Peter Pan, um menino que nunca cresceria – uma ótima explicação para o seu desejo que os Llewellyn Davies continuassem crianças e apertadinhos para sempre.
“… eu criei Peter Pan esfregando vocês cinco com força, como um selvagem tirando fogo de dois gravetos. Peter é apenas isso, a faísca que roubei de vocês.” ele diz, na dedicatória do livro que desgraçou a vida dos cinco meninos.
Sua esposa morre.
Os pais dos Llewellyn Davies morrem.
E em um misterioso engano de Barrie, Jenny vira Jimmy – culpa de sua ambidestridade! -, seu honorável apelido, em testamento de Sylvia, e os cinco passam a morar com ele.
Os filhos morrem – e creio que todos dão fim a sua própria vida.
Barrie.. também.
Mudaram-se então para Kensington, e Barrie – uma criança, no corpo de uma criança, com uma idade adulta – comprou um cachorro para sanar a vontade de ser mãe de sua querida esposa. Passou a passear com o cão nos Jardins de Kensington, e encontrou lá as primeiras pessoas que despertaram desejo sexual em si. Os cinco filhos da família Llewellyn Davies. Não me lembro bem agora, mas creio que na época o mais velho tinha apenas cinco anos, e Peter ainda estava a caminho.
Barrie se aproximou como um amigo – e é tudo que afirmam as pessoas cegas até hoje -, invadindo a vida dos Davies com uma classe detestada por Arthur (o pai), e adorada por Sylvia (a mãe burra, coitada). Nesse convívio ele criou Peter Pan, um menino que nunca cresceria – uma ótima explicação para o seu desejo que os Llewellyn Davies continuassem crianças e apertadinhos para sempre.
“… eu criei Peter Pan esfregando vocês cinco com força, como um selvagem tirando fogo de dois gravetos. Peter é apenas isso, a faísca que roubei de vocês.” ele diz, na dedicatória do livro que desgraçou a vida dos cinco meninos.
Sua esposa morre.
Os pais dos Llewellyn Davies morrem.
E em um misterioso engano de Barrie, Jenny vira Jimmy – culpa de sua ambidestridade! -, seu honorável apelido, em testamento de Sylvia, e os cinco passam a morar com ele.
Os filhos morrem – e creio que todos dão fim a sua própria vida.
Barrie.. também.
Mas o fantasma de Barrie nunca deixa Kensington, o lugar onde conheceu seus primeiros pequenos amores, como homem pequeno que era. Ele passa a habitar dentre as árvores (e nunca perto da tão odiada estátua de Peter). E o espectro pequeno, similar a sua altura de quando vivo, nunca foi visto.Era uma vez um menino chamado Michael James Way. Ele era alto, não sentia desejo sexual por mulheres – só por homens, diga-se de passagem – e tinha uma criatividade incrível. Não sabe-se tanto quanto sabe-se de Barrie, sobre ele. Mas Fresán há de reconhecer a grandiosidade de nosso segundo personagem, e escreverá uma biografia tão fantástica quanto a que escreveu sobre o nosso pequeno.
Tudo que se sabe é que ele leu um livro, nomeou uma banda, gosta de The Smiths e tem uma paixão secreta pelo seu irmão – na verdade, nem tão secreta assim.
Há alguns dias – tantos que formam anos – Michael nos deu o prazer de receber Barrie novamente no mundo, e não só como um espectro. Ele passeava por entre os jardins de Kensington, praguejando sobre as desgraças de sua vida, e encontrou a pequena áurea branca. Com o susto, abriu a boca para gritar, mas não emitiu som. O medo passou.
Barrie aproveitou-se então de sua alteração emocional e o invadiu, unindo então, sua personalidade pedófila à personalidade incestuosa do Way.
Michael, em um acesso de fúria provocado pelas duas personalidades, suicidou-se. Seria o sexto Llewellyn Davies a fazer isso, se fosse um Llewellyn Davis, mas ele não era (portanto, não vejo motivos para a existência dessa frase).
Os espectros combinados – agora ocupando um pouco mais de espaço do que o pequeno Barrie ocupava – viajaram para o Brasil, em um desejo súbito de conhecer a terra tropical tão estranha onde, como dizem os jovens, “puta goza, traficante é viciado, cafetão sente ciúme e pobre é de direita.” Confirmaram então que não poderia ter havido explicação melhor, a não ser, talvez, se adicionassem que meninas de quatorze anos escrevem contos gays durante a aula.
Tudo que se sabe é que ele leu um livro, nomeou uma banda, gosta de The Smiths e tem uma paixão secreta pelo seu irmão – na verdade, nem tão secreta assim.
Há alguns dias – tantos que formam anos – Michael nos deu o prazer de receber Barrie novamente no mundo, e não só como um espectro. Ele passeava por entre os jardins de Kensington, praguejando sobre as desgraças de sua vida, e encontrou a pequena áurea branca. Com o susto, abriu a boca para gritar, mas não emitiu som. O medo passou.
Barrie aproveitou-se então de sua alteração emocional e o invadiu, unindo então, sua personalidade pedófila à personalidade incestuosa do Way.
Michael, em um acesso de fúria provocado pelas duas personalidades, suicidou-se. Seria o sexto Llewellyn Davies a fazer isso, se fosse um Llewellyn Davis, mas ele não era (portanto, não vejo motivos para a existência dessa frase).
Os espectros combinados – agora ocupando um pouco mais de espaço do que o pequeno Barrie ocupava – viajaram para o Brasil, em um desejo súbito de conhecer a terra tropical tão estranha onde, como dizem os jovens, “puta goza, traficante é viciado, cafetão sente ciúme e pobre é de direita.” Confirmaram então que não poderia ter havido explicação melhor, a não ser, talvez, se adicionassem que meninas de quatorze anos escrevem contos gays durante a aula.
O fantasma doce e vulgar dos dois viajou para o Rio de Janeiro – por recomendação de Gerard Way, que disse ser “uma cidade maravilhosa, com todos os seus homens de sunga na praia” – e perderam-se no centro da cidade.
Andando por uma rua especialmente larga, chegaram a uma espécie de museu com um parque adjacente que lembrava, de uma forma muito estranha, a amada Kensington. O projeto de Jimmy deliciou-se com o lugar, sentando encostado à uma árvore, na beira de um lago verde, e voltando sua mente para as peças teatrais tão famosas de Barrie.
Era verdade que Barrie odiava pensar sobre isso, desde que falecera, mas Michael mostrara-se tão interessado que ele deixou-se contar pelo pensamento as incríveis histórias tão baseadas em sua vida. Não lacrimejou. Não emocionou-se nem mesmo ao lembrar de seu desespero pela atenção da mãe. O espectro de Barrie já era frio.
Ao lado dos dois – sem notá-los – uma menina sentou-se, abrindo um exemplar da amada Rowling e concentrando-se em quão parecida aquela vista era de sua amada Hogwarts. A essa altura a pequena menina ainda não ouvira falar de Kensington, Barrie ou Michael, mas tenho certeza que foi ali – exatamente naquele instante -, que o espectro das duas criaturas com suas parafilias tão anormais, invadiu o corpo da menina.
Se os Llewellyn Davies morrem, se Barrie morre, se Michael morre.. Jimmy nasce. E da combinação do corpo e mente da menina, espectro de Barrie e alma suicida de Michael, Jimmy torna-se mais do que uma pesonalidade.
Na época, com o corpo doze anos, Jimmy iniciou uma história um tanto banal. Não seria o primeiro conto a escrever, mas era como se fosse. Murdering Shakespeare – ainda com muito pouco conhecimento sobre Kensington, Barrie, Michael ou sexo – nasce.
Durante sua escrita – já são dois anos – várias outras histórias proibidas foram desenhadas e recitadas por Jimmy em aulas variadas. Mais de um milhão de letras foram desenhadas em papéis e apertadas em máquinas, mas sua história ainda não chegou à metade.
Andando por uma rua especialmente larga, chegaram a uma espécie de museu com um parque adjacente que lembrava, de uma forma muito estranha, a amada Kensington. O projeto de Jimmy deliciou-se com o lugar, sentando encostado à uma árvore, na beira de um lago verde, e voltando sua mente para as peças teatrais tão famosas de Barrie.
Era verdade que Barrie odiava pensar sobre isso, desde que falecera, mas Michael mostrara-se tão interessado que ele deixou-se contar pelo pensamento as incríveis histórias tão baseadas em sua vida. Não lacrimejou. Não emocionou-se nem mesmo ao lembrar de seu desespero pela atenção da mãe. O espectro de Barrie já era frio.
Ao lado dos dois – sem notá-los – uma menina sentou-se, abrindo um exemplar da amada Rowling e concentrando-se em quão parecida aquela vista era de sua amada Hogwarts. A essa altura a pequena menina ainda não ouvira falar de Kensington, Barrie ou Michael, mas tenho certeza que foi ali – exatamente naquele instante -, que o espectro das duas criaturas com suas parafilias tão anormais, invadiu o corpo da menina.
Se os Llewellyn Davies morrem, se Barrie morre, se Michael morre.. Jimmy nasce. E da combinação do corpo e mente da menina, espectro de Barrie e alma suicida de Michael, Jimmy torna-se mais do que uma pesonalidade.
Na época, com o corpo doze anos, Jimmy iniciou uma história um tanto banal. Não seria o primeiro conto a escrever, mas era como se fosse. Murdering Shakespeare – ainda com muito pouco conhecimento sobre Kensington, Barrie, Michael ou sexo – nasce.
Durante sua escrita – já são dois anos – várias outras histórias proibidas foram desenhadas e recitadas por Jimmy em aulas variadas. Mais de um milhão de letras foram desenhadas em papéis e apertadas em máquinas, mas sua história ainda não chegou à metade.
Pesquisas e perguntas originaram várias idéias e todas – ou a granda maioria – das anormalias amadas por Michael e Barrie serão aproveitadas. Murdering Shakespeare, agora com um subtítulo (Just Get In Line And I’ll Grieve You) já conta com quarenta páginas à mão – o que se torna decepcionante no Microsoft Word – e várias adjacências.
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