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Poesia Morta
Achou.
Achou como se achasse o corpo de uma poesia morta há muito tempo, ainda com a face torcida em dor, e quando a tocou sua mão estremeceu de medo. Seu peito estremeceu.
Abriu. Como se fosse uma flor a desabroxar no meio do inferno, porque ele estava frio e o corpo de repente – e contra as regras! – queimava. Queimava na sua morte.
E leu. E era como se estivesse lendo lábios.
Era uma carta. Uma carta com versos de poesia de Vinícius. Poesia velha e conhecida, mas agora arrancada e jazendo em um lugar completamente diferente do de costume. Mortinha da silva.
“Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.” (V.M.)
E era tudo que dizia. Preso a um disco de vinial de Caetano.
Ele sempre odiara Caetano, sempre odiara esse poema do mesmo modo. Até porque, convenhamos, que amor mais feio. Amor doído, amor louco.
Não gostava desse tipo de amor – e ainda mais por tê-lo herdado!
Não precisava de assinaturas para saber quem o escrevera, e a quem dera. Era de seu pai. Pra sua mãe. Há muito tempo, visto que hoje em dia amor é a última coisa que nutrem um pelo outro.
Sempre havia sido assim, então? Uma relação baseada extremamente em facas e dores? Quanto mais eu te machuco, mais eu te amo. Me machuque. Me machuque..
Não! Se negava a acreditar! Não é possível que viesse de uma relação assim, de ódio por cima de ódio, chamando de amor só para ficar bonito. E ódio sem sentido!
Mas então olhou pra si, esfaqueando a pessoa que mais amava na vida para proteger-se. Matando poesias inteiras para fazer os outros olhos encherem d’água e implorarem. Machucando.. por amor. E então percebeu que, além de não fazer sentido nenhum, era o mais certo. Era o sua melhor declaração.
Amava. Logo, machucava.
E para quê?
Para quê amava, em primeiro lugar?
1 comment Quinta-feira, Maio 14, 2009
O Monólogo de Anita 003
Querida Megan,
Ocorreu-me agora que não disse nem sequer uma única vez na minha carta anterior que te amava. Pois peço que me perdoe por, ao me inebriar com o sentimento, esquecer de nomeá-lo; Eu te amo.
Estou enviando uma fotografia. Charlotte convenceu-me a ir à Feira de Arte e a tiramos lá. Foi um passeio com pouco sentido já que não estou freqüentando as aulas, mas diverti-me um pouco.
Mamãe saiu do quarto na quarta-feira. Ela não me olhou nos olhos, mas pediu para que eu voltasse ao colégio na segunda-feira e me comunicou que eu não poderia mais ir à casa de Charlotte, mas se quisesse passear na quadra com elas, poderia se convencesse Angela a me acompanhar. Não pode dizer se Lousie sentiu, mas Charlotte estava aborrecida quando Gael a encontrou. Ele chegou sorrindo em casa e tem sido muito gentil comigo, o que me leva a crer que ele esteja superando, enfim. Não sei ao certo como explicar, mas Gael sempre me pareceu muito livre de qualquer conceito conservador demais.
Angela voltou a falar comigo normalmente, e desejou-me uma “Boa noite, minha pequena” ontem à noite. Estou me sentindo um pouco menos triste.
Chegou um mensageiro da Família Kaulitz na quinta-feira. Gael foi grosso com ele, mas mamãe o recebeu. Eu fui proibida de descer até que ele se retirasse e meu irmão não quis dizer-me nada sobre o assunto. Angela chegou a disser que o que quer que acontecesse, eu deveria ser grata. Não estou gostando muito, pois acho que o senhor Kaulitz resolveu enfim, pedir a minha mão para um de seus filhos. Talvez eu force um pouco mais Gael. Ele tem de me contar qualquer coisa.
Sinto sua falta.
Não pude mais passar por perto de sua casa, então estou sentindo falta dos portões e do jardim também. Tudo que me possa lembrar você está sendo retirado de mim, mas não fique triste querida, você é o meu amorzinho. Eu carrego você no meu coração e isso eles não poderão me tirar. Enquanto eu existir, eu te amarei, sem portões ou paredes; Um amor sem fronteiras, sem saudades, sem distância.
Estive pensando, na noite anterior a sua partida, o que mais me faria falta. Até agora, o mais tenho notado é a tristeza constante que ficou para trás, nessa cidade. Sem saber, minha Meg, você era todo o brilho e alegria que meus olhos percebiam. Canto a sua música a todo o instante e estou me empenhando nas minhas lições de arte, para poder gravar o seu rosto em um pouco mais do que minha memória, já que sua fotografia foi tirada de mim. Não que eu possa esquecer o seu rosto, mas desejo olhar para fora de mim e também te ver, nem que em uma pintura mal feita.
Talvez eu peça a Gael. Ele formou-se finalmente no curso de artes, mesmo contra a vontade de mamãe.
Agora escreverei a carta de Charlotte, que Gael entregará para mim, assim como tem postado as tuas.
Com amor,
Anita Márquez
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O Monólogo de Anita 002 – Cena
Encarou os olhos da menina. Estavam envoltos de tristeza e preocupação, e com esse simples vislumbre, Megan encheu-se de melancolia. Aqueles olhos inchados de noites tristes e preocupação não eram os mesmos olhos de sua Anita, pensava. Sua Anita tinha olhos risonhos que eriçavam os pelos de sua nuca com um simples olhar.
Megan sentiu uma dor aguda no peito. Estava inclinada sobre os joelhos dobrados, arrancando, distraidamente, pedacinhos do mato verde à sua frente. A menina não estava muito longe de si, encarando algo perto do lago com um interesse inversamente proporcional ao que a mais clara dedicava a ela. Não sabia o certo porque, mas, reprimindo a vontade que tinha de agarrar os dedos finos de Anita e puxá-la para seu peito, buscando acabar com a dor que sentia ali, ou a dor evidenciada nos olhos de Anita, Megan começou a mover os lábios em silêncio, na oração mais bonita que conhecia.
Ainda que suas mãos trabalhassem involuntariamente, e sua boca se movesse, os olhos de Megan estavam atados ao rosto de Anita como fortes imãs. Olhava-a como se não soubesse exatamente como eram as curvas de seu rosto, seus lábios rosados e sua pele cor de mel. Como se jamais a tivesse visto, e como sempre a olhava quando estava por perto. A cada mínima mudança na luz, era uma nova Anita em seus olhos. Era a tristeza mais bela que Megan jamais vira.
Sem pedir licença e tão repentinamente que até mesmo assustou a mais velha, uma lágrima desceu pelo rosto moreno, morrendo em seus lábios, Anita secou-a com as costas da mão de maneira rápida demais para ser delicada, e fingiu que ela jamais existira. Se tivesse de chorar mais, que fosse sozinha, e não ao lado de Megan que tinha muito mais motivos para isso. Sofrer ao lado dela era quase uma ultraje; Não ousaria. Não ousaria fazer com que Megan tivesse mais um motivo para ficar triste. A Mansão Rutherford já era melancólica o bastante.
Anita deitou-se na grama. Os cachos escuros espalhando-se como um Sol, enquanto seus olhos se fechavam para que O Verdadeiro pudesse beijar sua pele completamente. Usava um vestido claro e leve, curto ainda como quando era criança, apesar de há pouco já ter se tornado uma moça. Mostrava os joelhos, mas ao lado de sua melhor amiga sentada no jardim de sua casa, não achariam inapropriado.
Megan também usava uma roupa descomprometida, embora seu vestido fosse mais rosado e descesse um pouco mais, visto que teria de andar o caminho para casa sozinha, e não ficava bem para uma moça de sua idade que usasse roupas de criança na rua. Já a olhavam de modo esquisito por ela ainda não carregar um anel em sua mão direita, enquanto muitas mulheres já usassem jóias caras de compromisso. Não era por falta de pretendentes. Anita costumava dizer que Megan quebrava corações por onde passava, ainda que ela discordasse veementemente, mas Megan sabia que não era feia. Ela sentia o olhar dos homens sobre ela por onde passava, mas ao invés de isso elevar o seu espírito, a amedrontava. Não sabia explicar o motivo, apenas não gostava. Não gostara de nenhum dos seus pretendentes e duvidava profundamente que fosse gostar de algum.
As duas não eram muito diferentes. Anita também jamais pensara em casamento, embora não cogitasse a idéia do convento como a menina Rutherford. Todos os homens a ela oferecidos ou eram velhos, ou bobos, e ela não conseguia imaginar-se passando o resto de sua vida cuidando deles. Sua mãe, porém, nunca fora tão rigorosa quanto Mrs. Rutherford e ela sentia-se grata por isso.
Anita tinha traços mais grossos em sua face, que nem por isso deixavam de ser extremamente delicados, e um tom de pele quase imperceptivelmente mais escuro do que o de Megan, devido aos seus genes mexicanos, embora o Sol da Europa quase extinguisse esses vestígios. Enquanto Megan era uma menina rosada demais, com seus ralos fios loiros escorrendo pelas costas, Anita se parecia ainda um pouco com sua mãe latina, com cachos largos e escuros descendo da cabeça e uma aparência firme. Podia-se dizer que fora ela quem nascera dois anos antes e ninguém discordaria. Megan parecia-se demais com uma bonequinha para ter dezesseis anos completos.
O céu estava particularmente azul naquela manhã, e tomada pelo desejo de se aproximar um pouco mais da outra menina, Megan deitou-se ao lado dela, mas sem fechar os olhos. Ao longe alguns pontinhos moviam-se como andorinhas procurando um lugar mais quente para ficar, assim como Megan queria chegar ainda mais perto de Anita, para se aquecer de um frio inexistente. Sem saber como, viu que a mão da morena segurava a sua, e olhou pelo canto para o rosto dela. Ainda estava impassível, como se dormisse ou finalmente descansasse. Seu rosto ainda estava triste, mas nesses breves minutos havia perdido o ar carregado e havia se tornado como uma flor de inverno. Escura e úmida, mais ainda bonita por resistir ao frio.
- Devia falar comigo. – Disse por fim, lutando contra o receio que lhe arrebatava o peito. – Se me chamou aqui devia aproveitar a minha presença, e não ficar deitada na grama em silêncio. Faz com que eu me sinta inútil.
- Não é útil. E sabe disso. – E a voz saiu rouca. Anita pigarreou. – Está muito melhor o meu silêncio contigo, pois estou ouvindo você respirar.
Megan não pode deixar de sorrir para o nada. Gostava de se sentir importante para Anita, ainda que sempre acabasse pensando o contrário.
- Que grande bobagem. – Exclamou e riu. – Se quiser conversar..
- Ele se foi, querida. E não há nada que eu possa querer dizer sobre isso. Ele se foi e agora é Gael quem vai cuidar de mim e de minha mãe, apesar dele ser um menino bobo e grande. – Anita riu, mas sua voz era fria e rígida, como a neve do inverno.
Megan não pode concordar.
- Você sempre cuidou de si mesma.
Querendo ou não, a morena rolou os olhos. Virou-se para Megan, apoiando a cabeça no cotovelo, e este na grama.
- Isso deve explicar porque me encontro no estado que estou.
Via-a muito de perto, observando as linhas entrelaçadas do vestido tecido, e subir e descer cada vez mais rápido do peito de Megan, as montanhas de seu rosto. Os cílios eram curvos, e o olho que Anita podia ver estava no mais profundo azul, calmo e sereno, contra a luz do Sol. Megan não se deu ao trabalho de responder, controlando a respiração ao sentir o olhar da outra sobre si. Era como um grande castelo esmagando o seu corpo, e ao mesmo tempo, com a delicadeza de uma pena. Anita observou uma formiguinha de pique-nique arriscar-se pelo vestido rosa de Megan, atrapalhando-se ao subir e descer as linhas e parando logo abaixo dos seios, na parte reta. Aproximou-se dali e assoprou para afastá-la, mas o seu ato fez com que Megan movesse as pernas, as fechando com força e suspirando. Anita corou, mas não teve coragem de se afastar.
Debruçada sobre o corpo de Megan, sentindo o calor que emanava dali, Anita estava entorpecida. Talvez estivesse tonta pois estava há muito sem comer ou dormir, mas sabia que não era simplesmente isso. Megan a fazia sentir-se leve demais, como um pássaro ao vento, e essa sensação de liberdade sempre a estonteava. Anita sentiu um arrepio subir pelo seu pé até seu baixo ventre ao respirar fundo. O perfume da loira era doce, ams não enjoativo, e fazia-a lembrar das rosas de Megan, no jardim dos Rutherford. Nunca achara as rosas flores especialmente cheirosas, apesar de todas as flores o serem. Preferia o perfume das tulipas, no geral, mas as rosas de Megan não eram agradáveis só aos olhos. Costumava dizer que as rosas dela eram as melhores, porque a elas Megan dedicava todo o seu carinho e amor. Talvez as rosas também a amassem, enfim.
- Você tem certeza de que está bem? – Megan perguntou, e Anita despertou de seus pensamentos, voltando a deitar-se de barriga para cima, sobre a grama.
- Perfeitamente. – Sua voz soou um pouco mais insegura do que deveria.
Megan segurou a sua mão o mais rápido que pode, entrelaçando os dedos e fazendo um carinho leve ali, como que se escondesse aquilo de todo o mundo. Sua respiração estava especialmente forte para carinhos tão delicados, e Anita ir e vir entre sentimentos que ela não conhecia e não saberia dizer, mas já se chamavam paixão e amor. Desejava debruçar-se novamente sobre Megan, mas desta vez deitar a cabeça nela e abraçar sua cintura. Puxá-la para mais perto, e pressioná-la contra o seu corpo. E quanto mais pensava nesses desejos, mais os sentia, e já pressionava os lábios, mas não receio ou vergonha, mas como se para reprimir o crescente calor que a atingia, seguido de calafrios.
De repente, Megan encaixara-se em seu corpo, abraçando-a como ela a pouco desejara fazer. O perfume parecia vir de todos os lugares e a pele de Megan era tão macia quanto parecia, assemelhando-se às pétalas. Os dedos finos da mais velha seguraram o seu antebraço, e o lado de seu rosto tocava o seu colo, onde a alça do vestido já caía para o lado discretamente. Abraçaram-se como se fossem os ursinhos aos quais dormiam abraçadas quando eram crianças. Na verdade, ainda sentiam-se assim, embora o mundo as empurrasse para uma vida adulta, e no abraço puderam ter a certeza disso. Quando paravam de fingir ser grandes, e agiam como se sentiam, estavam completas.
- Eu fiquei muito preocupada com você. – Megan sussurrou, e Anita sentiu molhar sua pele na altura em que os olhos da outra se encontravam.
- Ei.. Não chora.. – Pediu e começou a embalar a mais velha, murmurando uma canção dos Montes do Gales, que achava especialmente bonita.
Megan já ouvira aquela canção antes. Anita costumava murmurar quase sempre até que um dia a loira ouvira o pai dela cantando-a em um dos poucos jantares em que estava em casa. Achou-se uma boba. Fora o pai de Anita que morrera, e há apenas dois dias, mas era sempre Megan que acabava chorando. Ainda que quisesse se censurar, não teve capacidade de fazê-lo por muito tempo. Chorava por fora, mas seu coração acelerava por dentro, por cada centímetro de distância extinto entre Anita e ela. E Megan sentiu-se feliz pela primeira vez estar fazendo tudo ao contrário, e não pode segurar um sorriso por entre as lágrimas.
1 comment Quinta-feira, Novembro 13, 2008
O Monólogo de Anita 001
Querida Megan,
O tempo está perigosamente quente durante os últimos dias. Estive na mansão dos Jones e, eu e Charlotte tivemos de trocar os vestidos por bermudas. Mesmo assim, passamos o dia sobre a grama do jardim. Ela me disse sobre uma viagem que seus pais pretendiam fazer à Alemanha e eu tentei convencê-la a ir com eles e visitar você, mas Lousie achou uma má idéia. Sua boca pronunciou “Por causa do senhor Rutherford”, mas eu podia jurar que sentia que seria má idéia por nossa causa. Lousie ainda está tendo dificuldades nesse assunto, mas não é tão ruim. Ao menos, a senhora Anne-Joulie se sentiu motivada a conversar com as duas, e Charlotte me disse que ela foi extremamente delicada e amorosa ao falar de nós. Fico feliz por ambas poderem contar com uma mamãe tão inteligente.
Já por aqui, as coisas continuam dolorosas. Não tanto para mim, mas mamãe está trancada no quarto desde o estrondo da véspera de sua partida, até hoje. Tem comido pouco e, apesar de Angela estar trabalhando para agradá-la, recusa-se a sair. Entretanto, você a de concordar comigo quando eu digo que é melhor para mim desse modo, não?
Cherie disse-me que as pessoas estão a olhando estranhamente no externato. Ela concordou que eu deveria esperar mais um pouco para voltar às aulas, e como ninguém olha pra mim tempo suficiente para me dar ordens em casa, eu farei isso. Por isso, estou copiando suas lições.
Gael cortou a boca em algum lugar, mas recusou-se a me contar. Eu o ajudei com os curativos, já que ele chegara mais uma vez muito tarde e Angela já havia se deitado. Perguntei a Cherie, mas ela pareceu estar mentindo ao dizer não saber de nada. Ou talvez eu esteja um pouco paranóica.
Ontem passei pelo portão de sua mansão. Lousie disse ter visto sua mamãe, mas eu me distraí olhando as roseiras. Eu não sei se isso é possível, mas uma rosinha branca desabrochou entre as suas vermelhas. Acho que o seu jardim também sente sua falta.
Toda a cidade perdeu um pouco com a tua partida, minha querida. Lousie tem estado ríspida, mas ela só não quer demonstrar quanta falta sente. As ruas estão mais acinzentadas e nem o Sol forte tem feito os gramados verdes resplandecerem. Os dias parecem ser noites sem a beleza das estrelas e, mesmo que eu tenha forçado, todos os sabores se parecem com pedra.
Gael só falou comigo mais uma vez desde o início da semana, além do dia em que eu o ajudei com o curativo. Ele me pareceu hesitante, mas eu tive que me manter forte para não chorar. Ele disse “Se você diz que a ama, eu acredito em você” e se ofereceu para postar cartas para você. Propositalmente ou não, eu passei a suportar melhor a nossa distância; Se meu irmão aceitou e compreendeu, isso nos aproxima de que, eventualmente, nossos pais superem, ao menos.
Acabei de parar alguns minutos para pensar na palavra certa para uma despedida e olhei pela janela. O céu está claro de estrelas opacas e duas delas se jogaram atrás do meu jardim. Eu fiz dois desejos:
I. Pedi que você voltasse para perto de mim;
II. Que, se o meu pedido anterior não pudesse ser realizado, você me esquecesse e fosse feliz na Alemanha.
Da sempre, sempre tua,
Anita Márquez.
Ps.: A rosa branca da tua roseira é um presságio. Do meio do nosso amor ainda há de vir Paz algum dia.
Add comment Quarta-feira, Outubro 1, 2008
Dreaming About Teeth 003
E então, John ficou doente. Muito doente. E mais do que físico, a doença se originou psicologicamente. E foi como se algo o matasse de dentro para fora, devastando a vida de seus olhos e atos. Os sorrisos, antes alheios, agora eram tão escassos quanto a felicidade de Sai. Ela não sabia muito o que fazer, ficou perdida assistindo John se perder dentro dele mesmo. Quis oferecer uma mão, mas o mundo parecia conspirar. Um dia, ele deveria visitar um outro lugar. No outro, ele deveria dormir durante mais horas do que se imaginava ser possível. E quando ela se aproximou, por fim, as palavras lhe fugiram a boca, porque toda vez que via aquela cena era algo automático, e vivendo aquilo todas as coisas que pudesse dizer pareciam desnecessárias.
Ela não perguntaria a ele se ele estava se sentindo bem, isso estava claro em seus olhos redondos e escuros. E toda vez que ela encarava a imagem solitária de John por mais de um milésimo de segundo, seus olhos enchiam-se de água e ela se sentia ainda mais incapaz.
Depois, vieram os comentários. Nikki e Lousie foram as seguintes a perceber. “Você viu como ele está triste? Estou até com dó.” E depois Edwin e Julian que, ao invés de segurá-lo e tentar mantê-lo por perto, o afastaram achando que estariam ajudando. Sai amaldiçoou cada um deles, por serem mais capazes do que ela e mesmo assim, estarem envergonhados ou temerosos de fazerem alguma coisa.
E dentro do seu ódio, Sai se perdeu, tentando consertar coisas sem conserto, tentando segurar mãos não-presentes. Dentro da sua tristeza, o remorso surgiu. E mais do que isso, dentro dela tudo virou escuridão.
E se alguma coisa acontecesse a ele.. Se ele fizesse alguma coisa a si próprio..
Das Ende.
1 comment Sábado, Agosto 23, 2008
Dreaming About Teeth 002
Por James B. W.
Os insetos ressoavam em seus zumbidos e piados típicos do horário. O céu estava mais escuro do que seria capaz na cidade, mas Sai estava satisfeita com o ar do campo que se espalhava pelo seu sítio. Julian, Edwin e John estavam certamente trabalhando na louça do jantar que as meninas haviam preparado, e mesmo que tenha passado pelas suas mentes reclamar, elas haviam cortado essa possibilidade com olhares fulminantes.
Sai aproveitara a atenção momentânea dedicada por suas amigas a algum objeto velho achado em sua própria casa para se esconder na varanda. Dessa forma, não teria de ouvir o som dos copos e pratos se estilhaçando, apesar de ter certeza plena que era exatamente o que estava acontecendo.
Talvez, ela pensou, estivesse mesmo se tornando uma romântica irrecuperável, tomando a bebida fermentada quando todos se enlouqueciam com algumas garrafas destiladas e esperando que ele irrompesse ali fora a qualquer momento. Com as mãos sujas de sabão e um sorriso estúpido, perguntando por que ela estava tão longe e tão sozinha. Seria um plano perfeito para não provocar nada além de uma sensação agradável, subindo pelo seu tórax até corar suas bochechas. Era engraçado como tudo parecia ter sido monumentalmente planejado visto que eram quase três casais. E o maldito quase pela falta de relação entre Sai e John. Ela chegou a pensar que sua mente estivera pregando peças nela, a confundindo antes mesmo que conseguisse se decidir sobre os seus sentimentos e a empurrando sem escapatória para o caminho do platonismo – como se ela mesma não estivesse entregue a ele. Mas Sai estava feliz quando John se aproximava e dizia coisas banais; Feliz o suficiente para não se incomodar com a espera.
“Ei..” E as duas letras flutuaram pelo ar puro, encostando-se no ouvido de Sai como uma melodia.
Ela sorriu e se virou, sustentando o sorriso como um cumprimento, mas sabendo que ele tinha outra razão.
John caminhou com as mãos pingando água e sabão pelo chão vermelho-tijolo que manchava os pés. Sentou-se na rede ao lado dela e com a mudança na estabilidade do pano, Sai pendeu para o seu lado, virando a taça alguns milímetros e derrubando um pouco do líquido em sua calça. Estava um pouco mais perfeito que o plano de sua mente.
“Merda, John!” praguejou.
Ele revirou os olhos e dirigiu as mãos ensaboadas para o joelho da menina, tentando inutilmente livrá-la daquela cor de sangue. Sai achou um tanto absurdo o modo como ele arruinara as coisas e estava arruinando sua calça, mas não haveria um mundo em que ela pudesse pedi-lo para se afastar ou parar de tocá-la. Na verdade, ela chegou a quase dizer isso, antes que ele se irritasse com a sua própria performance e começasse a ser mais vigoroso nos toques. Então, distância parecia tão dolorosa quanto na maior parte do tempo de novo.
“Desculpe.” Ele pediu, começando a rir em um quase silêncio. “Você está bem?”
“Você só molhou a minha calça. Foi estúpido, mas não é como se eu fosse começar a me sentir mal por isso.” Sai riu junto, encarando os olhos amendoados pelo segundo em que o rosto se virou para ela, e suspirando pelo próximo.
“É só que.. Você está quieta. E isso está uma desgraça.” Ele se afastou novamente, deixando a tarefa de lado ao perceber que Sai não ligava para o estado da calça, de qualquer forma.
“Eu estou bem. E a calça vai ficar.” Ela sorriu e bebeu mais um gole do vinho, antes de estalar os lábios e começar a falar olhando para o céu.
“Quando eu era menor, vir para o sítio significava estar sem horários. Para comer, dormir, ou todo o resto. E eu gostava disso, porque de fato quem controlava meus horários era a empregada, e soava muito como regras para mim. Desde já eu era acostumada aos padrões da minha mãe. Viver por aí, vivendo..” Sai olhou para John, para ver se ele se perdera nas palavras ou ainda estava a acompanhando e ele fez um sinal com a cabeça para que continuasse.
“Então, quando mamãe e papai dormiam ou ficavam conversando na sala, eu deixava a luz de dentro acesa e apagava a da varanda, como agora, porque eu tinha medo do escuro. Eu sentava aqui e ficava olhando para o céu, encolhendo a minha visão para que só pudesse enxergar a escuridão a minha frente e os pontinhos luminosos. E eu não sentia medo, porque a luz estava às minhas costas, e eu podia me aventurar em enxergar somente o céu. E era como se não só não houvesse horários para as minhas tarefas, mas como também não houvessem tarefas..“ Sai suspirou, perdida no céu por mais um instante. “Soa estúpido, porque o momento especial de todas as pessoas é quando não há mais nada além deles e o mundo. Mas eu acho que é aí que está o ponto.”
O silêncio contornou o lugar e Sai começou a se perguntar porque havia dito tudo aquilo. Parecia bem estúpido falar tanto de si sem nenhum motivo particular, e foi quando Sai começou a se sentir estúpida. Não que ela não se sentisse assim toda vez que John estivesse por perto, mas ela achava justo citar. E frisar.
“Você tem medo de escuro?” Ele perguntou, fazendo-a arquear a sobrancelha.
“Um pouco.” Confessou.
“Mas quando ficam sozinhas de verdade, as pessoas sofrem. É por isso que você tem medo, você não consegue enxergar ninguém se as luzes estão apagadas.” John suspirou. “E quando você sabe que tem alguém lá, então, você segue. Porque ser sozinho é o melhor sonho e o pior pesadelo.”
Sai sorriu enquanto John usava as pernas para balançar a rede. Ele não viu, porque também estava sonhando com a solidão, mas Sai estava exibindo o seu melhor sorriso para o céu. Ela pensou por um segundo, repetindo a voz na sua mente um milhão de vezes ou quantas forem necessárias.
“Na verdade, você quem é. O pior pesadelo favorito.” Ela pensou, mas aí estava outra coisa que ele não saberia.
To be continued..
1 comment Quinta-feira, Julho 24, 2008
Dreaming About Teeth 001
Por James B. W.
N/A: Narração feminina, por Sai.
O céu estava mergulhando em um cinza claro, mas sem cor de uma forma tão extrema que era quase tedioso. E mesmo que houvesse manchas se espalhando sobre as montanhas, nada disso era empolgante. Eu cheguei a ficar com raiva pelo fato do Sol não fazer o gramado reluzir, se escondendo atrás de grossas camadas de água. Pelo menos o chão não estava úmido, e eu pude me sentar na grama sem nenhum problema.
Provei do suco vermelho incerta. Que era doce foi a minha primeira conclusão, mas eu não pude identificar a fruta. Estava bom, de qualquer forma. Eu nunca fui boa com os sabores.
Reclinei-me, apoiando o peso em minhas mãos atrás de meu corpo. Seria maravilhoso se os raios de Sol pudessem beijar meu rosto e me fazer enrubescer, mas todos os simples desejos daquela manhã pareciam ser pedidos contrários. Na verdade, dos últimos meses. Eu estava começando a temer desejar estar viva, pois era mais possível que um aracnídeo gigante invadisse meu quarto do que um desejo meu ser atendido.
Eu não vi quando John caminhou até mim, mas pude sentir a mudança do ar quando ele se sentou ao meu lado. Era uma surpresa que ele houvesse decidido se juntar a mim naquela viagem, já que poucos de seus amigos haviam vindo conosco. Mas ele e Edwin estavam se saindo bem até agora. Carregaram as malas para dentro ontem de madrugada e acordaram cedo para nos ajudar a preparar o café. E mesmo que Julian houvesse ligado há alguns minutos declarando-se rendido pelo temporal que abatia a cidade há dias, e relatando que estava arrumando as malas, eu estava contente que a iniciativa de passar mais tempo comigo fosse baseada em coisas mais minhas do que deles.
Ele suspirou sonoramente, apoiando os braços no joelho e olhando para as colinas assim como eu. Eu cogitei a possibilidade dele estar pensando em algo para dizer, iniciar um assunto ou sabe-se Deus o que, mas nada foi dito. Ele permaneceu calado pelos incontáveis segundos em que eu deixei meu coração acelerar. Não chegou nem a pedir quando seus dedos brancos se apoderaram do meu copo, mas ergueu um canto da boca quando eu o interroguei com a minha sobrancelha.
“O que há? Meu suco.” Eu disse, num tom de brincadeira, mas ele não retribuiu com a voz.
Eu olhei para trás quando um grito ecoou pelo meu quintal e vi Nikki sendo jogada na piscina de maneira completamente covarde por Edwin. John gritou alguma coisa, mas meu cérebro não se deu ao trabalho de absorver. Eu estava olhando para a curva de seu pescoço, quase coberta pelos fios loiros, completamente alheia a cena que se seguia atrás de nós, e só reparei que estava perto demais quando o ar que saía pelo meu nariz fez com que os fios tremessem. Ele se virou para mim, me dando a deixa para me afastar, e eu alinhei meus cabelos enquanto ele abria a boca para falar.
“Obrigado por nos convidar, Sai.” Pronunciou.
“Eu nunca achei que você fosse do tipo que agradecia.” Eu sorri, deixando claro que era uma brincadeira boba e sem sentido. Em outras palavras, deixando claro que eu podia ter ficado calada.
“Nem eu.” Ele sorriu também.
Eu poderia dizer que ele estava deixando claro que não era uma brincadeira, mas seria uma dedução precipitada baseada em nada. Eu notei que ele ainda tinha o canudo pendendo de um canto da boca quando um barulho soou. Ele havia bebido todo o meu suco, e quando retirou o plástico da boca eu vi que estava com marcas de mordidas na ponta. Rolei meus olhos e larguei os ombros alguns milímetros, mas John se levantou.
“Eu pego mais para você.”
Eu desejei dizer que não era necessário, e pedir para que se sentasse ao meu lado novamente, mas só quando já havia confirmado com a cabeça e feito ele se afastar. Procurei pelos olhos Nikki, e encontrei-os sobre mim, vindo da piscina. Ela sorriu docemente me fazendo questionar se eu parecia tão triste e solitária quanto ela parecia sentir pena de mim. Mas no segundo seguinte ela havia afundado e recomeçado uma brincadeira sem sentido com Edwin.
Eu me encolhi dentro do meu pijama e desejei calor.
To be continued..
2 comments Quinta-feira, Julho 17, 2008
I Am Watching You
Eram dois. Não tão grandes, mas ganhavam espaço enquanto eram observados. E ao mesmo tempo em que eram olhados com tanto receio e, digamos, desejo, eles observavam também. Eram redondos e bem marrons, mas não escuros. Não havia nenhuma ponta de mistério ou prazer, ou qualquer coisa que os tornassem luxuriosos. Pareciam de uma criança e o mais intrigante é que ali já não havia crianças.
O mais interessante.
Eles nem estavam presentes, de fato. Mas nunca estavam longe. Nunca piscavam. Sempre ali, em dois, em par. Sempre do jeito que o observado desejava estar..
E ’sempre’ é tanto tempo.
A menina se abraçou por um segundo. Estivera evitando por tanto tempo fechar os olhos que a imagem já a assombrava de olhos abertos. Não havia como fugir, não havia para onde correr. E mesmo que desejasse, correr não ia resolver absolutamente nada. Afinal, os problemas estavam ali, tomando conta de tudo, assim como os dois olhos que a encaravam.
O mais assustador de tudo – e ela quase se deixou temer por isso – era o fato de ela ser a observadora. Ela olhava e procurava durante todo o maldito dia, e então, quando os olhos retribuíam, era apenas mais um detalhe formado em sua pequena assombração. Ela atraía o monstro, ela atraía o medo, ela atraía a dor. Ele nunca a procurou e nem a procuraria por ele mesmo; Só as demonstrações de reconhecimento bastavam. Era só isso que a fazia enlouquecer.
Um olhar.
Um cumprimento.
Uma despedida.
Um ‘afaste-se’.
E então, como vão os batimentos agora?
Até Logo.
3 comments Sexta-Feira, Junho 20, 2008
Life ‘Sux’ [Mona talks to Jacob]
CENA: Uma rua em Kensington. Mona Lisa andando sozinha.
Fazia uma manhã fria como sempre naquela cidade, e a neblina insistente poderia ser considerada quase que escassa comparada aos padrões de Kensington. Mona Lisa não sabia ao certo o que estava fazendo enrolando-se no seu casaco fino, tentando gerar um mínimo de calor, e caminhando pelo cimento da rua solitária. Ela não sabia nem que motivo em especial obrigava seus pés a moverem-se, arrastando em uma linha reta até aquele lugar. Em seu íntimo, sabia que não havia nenhuma razão concreta além do seu desejo; nada além de capricho. Contudo, algo ecoava em sua mente, um pouco mais racional do que seus instintos, e Mona podia acreditar que era um motivo maior. Quando se apoiou na parede de concreto, respirando fundo algumas vezes, ela se prendeu a isso de uma forma muito além de humana; como se de repente precisasse de forças. Seus dedos estavam um pouco mais gelados, e não por causa da temperatura. O nervosismo era um reflexo. Mona Lisa não se importaria de falar mil vezes – ou mil vezes e meia – as coisas que se passavam pela sua mente, mas dessa vez era importante. Ela sabia que era; ela sentia a importância disso crescendo diante de seus olhos (e dentro de si).
Ela encarou seus dedos por um momento, prendendo-se na aparência de sua pele. Tentou divagar sobre sua própria imagem – estou com tanta aparência de velha, assim? –, mas não conseguiu. Suspirou. As ações eram assim, sempre inúteis e quase sempre também mal realizadas. Uma tortura o que estava vivendo. E nem era tão ruim. Era só um capricho qualquer – ou não? – era só uma tentativa de fazer as coisas nunca mais saírem dos eixos, porque era simplesmente asfixiante – e isso, mais do que uma qualidade, é quase como uma benção – quando elas estavam do jeito que estavam agora. Funcionando. Bem.
Abriu a porta, encarando o local. Lembrou-se quando prometera, não exatamente ali, mas na cidade de qualquer forma, que nunca mais voltaria. Lembrou-se de como havia se sentido por tanto tempo, odiando tudo que tivesse relacionado à Kensington, e quase que a si mesma. E ela estava ali, construindo a sua vida exatamente do mesmo jeito que sua mãe fizera. “Pelo menos”, ela pensava enquanto tentava se livrar da vergonha disso, “não sou exatamente como a minha mãe”.
- O que há? – Jacob se aproximou dela, beijando-lhe os lábios fraternalmente, mas tendo as mãos e o tempo ocupados demais para dedicar uma atenção maior.
- Olá, Jake. – ela disse, com um sorriso enviesado, já tentando desviar a atenção das razões de sua visita inesperada, enquanto ele se virava abandonando a bandeja na bancada do local.
- Olá. – ele respondeu sorrindo, e voltou-se a dedicar ao seu trabalho.
Mona mexeu seus dedos à sua frente, refletindo por alguns fragmentos de segundo, e voltou a se aproximar, dessa vez do outro lado do balcão. Ela permitiu-se tocar em Jake, e ele olhou-a nos olhos. Por que seus olhos estavam ardendo tanto?
Havia tempos que Mona não chorava tão inesperadamente, e a lágrima que molhou sua face fora muito mais do que apenas uma surpresa, fora quase como um susto para o homem. Jacob passou seu polegar pela bochecha macia e lisa – quase a mesma da menina que ela fora há alguns anos – e ela sorriu, deixando que ele se sentisse um pouco relaxado.
- O que houve com você? – perguntou.
- Eu estava passando.. Bem, não. – ela balançou a cabeça negando seja lá o que estivera prestes a afirmar.
Aí estava a coisa importante, saindo dela. Ela estava transformando em palavras apenas para drenar a si mesma, porque aquilo era mesmo asfixiante.
Jacob esperou. Esperaria, de qualquer modo, mais do que por não ter nada a fazer – os clientes do café não pensavam assim – mas porque essa era a prioridade. Ele seguiu com sua mão até os fios curtos da mulher, olhando-a por um instante interminável, e usando seus dedos para dedilhar a alma de Mona.
- Eu queria agradecer.. – começou, encarando os olhos claros dele reconhecendo o seu menino – Obrigada por ser meu amigo.. Cuidar de mim, me escutar, e todas essas coisas incríveis que você tem feito nos últimos anos.
Ele a abraçou, ela se afogando em sua camisa, e deixou que ela aproveitasse de seu próprio calor. E quase que como um silêncio, seus lábios se moveram sobre a cabeça da garota, proferindo uma confissão amargurada e tão bem conhecida aos seus ouvidos e mente.
Ele disse:
- Eu sou seu irmão; se somos algo no fim. Você sabe o quão mais irmã você é para mim do que qualquer outra pessoa no mundo.
Ele disse:
- Não se sinta grata por aquilo que eu faço com prazer. Cuidar de você é tê-la por perto, ouvir sua voz doce ecoando grosserias, e todas as coisas banais que eu faço para lembrar a mim mesma que você está viva. Não se sinta grata porque eu estou por perto, se no final é só por você ser você, que me tem como um imã.
E então, silenciando as palavras contra a camisa de Jacob, Mona proferia em um vazamento de sua mente e coração:
- Se eu pudesse ser Bruce, para aliviar a dor que você sente em amá-lo, eu seria. Se eu pudesse ser sua irmã, em vez dele, eu seria; Por você, faria isso mil vezes.
Ela disse, havia dito, repetiria quantas vezes fossem necessárias.
Ela agia como julgava dever, e era isso que ela significava, e o tamanho da sinceridade nisso era quase doloroso.
- A vida é uma merda para nós.
Até Logo.
1 comment Domingo, Junho 8, 2008