Desencontro
Sentam os dois na mesa; um olhar meio distante de quem não queria exatamente estar ali, mas queria muito querer, e uma mão que limpa os restos de borracha de um provável outro encontro naquela mesma sala.
Há os que chamam aquele lugar de centro de recuperação psicológica e há também os que chamam de escola.
Ela tira um caderno e coloca sobre a mesa, mas só por costume de tê-lo por perto, já que a ausência das palavras escritas é justamente o motivo do encontro. Ele aguarda, olha esperançoso pras folhas, apenas para vê-las rabiscadas inteiras, com desenhos impacientes de quem tem passado tempo demais pensando e tempo de menos concluindo.
“Olha, eu sei que é chato…”
O sorriso dela o interrompe. Não é exatamente que ele não queira dizer mais nada, havia até um complemento para aquela frase, mas o sorriso é tão triste e cansado que ele tem a certeza repentina de que talvez não seja só chato.
Talvez seja insuportável.
“Ah, tudo bem. Não é que eu não vá fazer, é só que…, entende?”
Ele quer dizer que não e ajeita os fios do cabelo na testa, depois se mexe na cadeira e bufa. “Eu tinha pensado em um monte de coisas pra te dizer.”
“É que eu sumi, não é?”
Ele ri, meio sem-graça, e dá de ombros. “Não é bem isso, também. É só que a sua ausência deixa a minha vida em stand-by.”
É a vez dela rir. Faz tempo que ela não ri assim, sem se preocupar com o som que vai fazer. Sem ajeitar o cabelo. Só porque acha algo engraçado. “É mesmo.” Ela diz e adora a conexão.
“Eu queria poder te ajudar, to precisando de certos avanços na minha história.”
De repente ela se dá conta de que nem sabe a cena em que o deixou esperando da última vez. Acaba se sentindo um pouco culpada, e também, como não, se de fato era dever dela dar segmento àquele enredo?
“Eu não sei bem o que eu posso fazer. Me deu verg-“ Ela pára. Pára porque sente vergonha de dizer que tem vergonha, porque tem medo que acabe parecendo outra coisa, que ele fique chateado, porque se importa.
Isso sim é chato, porque ela queria que ele entendesse, mas nem mesmo ela entende. É meio estranho sentir vergonha do que você gosta, de quem você é, porque é pior do que querer ser outra coisa. Porque não busca nenhuma mudança, não traz nada de bom. Apenas quer esconder aquilo que te faz feliz (e não é nem medo de ser feliz).
Talvez… Se vivesse só para si mesma.
Mas também, se fosse assim, o homem à sua frente não poderia existir. “Que contradição pesada”, ela pensa, e os lábios ficam finos de raiva de si mesma. O que gostava é o que fazia ter vergonha do que gostava.
“Tudo bem. Pode ser escondido, sabe?” Ele deu de ombros. “Não faz diferença. Às vezes a gente se orgulha mais daquilo que ninguém faz idéia.”
“E eu lá sei manter segredo?”
“Quando você tem vergonha, sim.”
Foi-se
Ainda havia aquela coisa mastigada em seu lábio de palavra entalada. Era o que não tinha dito no momento certo, e o momento foi-se e a coisa ficou ali. Ele não engoliu como devia, mas ficou mastigando, remoendo, despedaçando como que para entender e imaginar os efeitos daquilo se não tivesse deixado o momento passar.
Havia um pouquinho de angústia e arrependimento, mas conforme ali ficava a coisa, passava a haver um pouco de alívio. Ai, se tivesse dito.. Se tivesse se deixado levar pelo momento.. Talvez, assim..
Depois amuou; Não dizer não adiantara muito.
E o alívio foi-se também.
32
It was a really big family, to be quite honest with you. And every time another child was born they had to face the same old problem, as if it wasn’t easier for them just to quit reproduction. Same thing applied to the child they got to raise, helping the city to grow. It came to a point in which they were already twenty-seven sisters and thirty-one brothers living in a big farm.
Mom and Pa spent their daily dinner thinking about the same thing. Almost wondering.
What would happen when all the names on Earth ended?
When they did, though, they found a way out. Now they named and numbered kids. I happened to be number thirty-two, Abraham. I feel good about it. Makes me feel special. There’s no other thirty-two in the family.
Morde
Pega-se partes de um todo e monta-se o todo, todo diferente. e Mesmo que às vezes compreenda-se que nada disso pode ser dito antes das 8h, horário onde as crianças se escondem atrás da porta, em sussurros nos cantos da casa, quando estão todas verdadeiramente distraídas no jardim, não há nenhum problema.
Ela morde o todo, com frequencia. Embora o todo seja, evidentemente, parte de um algo muito maior, que se perde em uma constante insuportável por entre a vontade que ela nutre secretamente de mastigar. mas Nada nunca foi esse todo de importância que se diz, e o que não se nomeia, não existe, e logo ela solta a mandíbula feroz que lhe apertava a carne com um risinho cínico; Como se algum dia alguém se importaria com seus risinhos (ou seu cinismo).
Em um geral, mesmo que se morda com frequencia coisas das quais não se tem o devido conhecimento, sabe-se ao menos que aos cochicos, em cantos, não são ditos bons atos, e que se forem, normalmente, são de forma indevida e como desculpas esfarrapadas. Portanto, se fores pegar partes de um todo com os dentes, para montar um quadro completamente distinto do original, faça-nos o favor de convencer-nos anteriormente do resultado positivo que tal gesto irá gerar.