Foi-se
Ainda havia aquela coisa mastigada em seu lábio de palavra entalada. Era o que não tinha dito no momento certo, e o momento foi-se e a coisa ficou ali. Ele não engoliu como devia, mas ficou mastigando, remoendo, despedaçando como que para entender e imaginar os efeitos daquilo se não tivesse deixado o momento passar.
Havia um pouquinho de angústia e arrependimento, mas conforme ali ficava a coisa, passava a haver um pouco de alívio. Ai, se tivesse dito.. Se tivesse se deixado levar pelo momento.. Talvez, assim..
Depois amuou; Não dizer não adiantara muito.
E o alívio foi-se também.
32
It was a really big family, to be quite honest with you. And every time another child was born they had to face the same old problem, as if it wasn’t easier for them just to quit reproduction. Same thing applied to the child they got to raise, helping the city to grow. It came to a point in which they were already twenty-seven sisters and thirty-one brothers living in a big farm.
Mom and Pa spent their daily dinner thinking about the same thing. Almost wondering.
What would happen when all the names on Earth ended?
When they did, though, they found a way out. Now they named and numbered kids. I happened to be number thirty-two, Abraham. I feel good about it. Makes me feel special. There’s no other thirty-two in the family.
De Austríacos
pairing indefinido || fandom indefinido || 500 palavras, g
gênero standalone
sinopse os personagens são amigos de anos, e um deles vai passar um ano em outro país (Áustria). A narração se dá para o momento do retorno.
–
Sentia saudades, de fato. Mas as saudades, por mais que doessem, por mais que sufocassem e fizessem parecer tudo mais inútil, não conseguiam acabar por inteiro com outros sentimentos – infinitamente menos nobres.
De alguma maneira, quando pensava sobre o assunto somente sorria cansado, um pouco inseguro por meio as lágrimas que desciam pelas maçãs do rosto tão tímidas, ainda com uma vergonha sem sentido de chorar.
Não se sentia mais fraco por sentir saudades; sentia-se mais fraco pelo ciúme, pela insegurança. A falta não o assustava, a falta não o reprimia. Não era pela falta que perdia o sono. Era só o medo de que a falta fosse eterna, uma vez que esta não fosse mais justificada pela distância.
![[COVER] de austríacos](http://murderingshakespeare.files.wordpress.com/2010/08/cover-de-austriacos1.png?w=324&h=162)
Morria, morria de medo. Tanto que mastigava os lábios, gaguejava, andava pela rua e, antes que notasse, passava as mãos pelo cabelo enquanto, em sua cabeça, tocava algumas músicas que aprendera a gostar junto dele, e já não sabia se ele ainda gostava.
Passava horas prestando atenção no dia-a-dia do qual ele costumava a fazer parte, nas pequenas coisas, nos pequenos gostos. Duas horas sentado numa mesa de bar, conversando com uma menina agradável sobre o gosto da cevada e uma pergunta muda entalada na garganta: Será que muda muito de país em país?
Às vezes passava dias encarando o céu sempre azul daquela cidade. Se perguntava um milhão de vezes e meia se realmente era mais bonito do que todas as outras ou era coisa de carioca puxado, de gente que gostava demais de se auto-proclamar e tinha dificuldades tremendas de olhar o estranho e deixar-se bastar por ele.
A merda é que conhecia o outro muito bem. Sabia que não haveria essa história de que o que é meu é melhor; Não com aquele jeito quase mole, quase leve da personalidade dele. O seu novo-austríaco adorava o diferente, o do outro e, de certo modo, era por isso que tinha adorado tanto ele próprio.
Mas ele já deixara de ser novidade há tempos (que tal uma vida inteira, e aí ainda tentar dizer que surpreendemos um ao outro?) e agora, um ano depois, um ano de Áustria…
Quem garantiria que o gosto da cerveja não fosse muito melhor à língua dele se fosse essencialmente Austríaco?
Quem garantiria que a língua dele não estivesse mudada, e tudo com gosto de Rio de Janeiro fosse um pouco menos saboroso? (A pele).
Sentia saudades, de fato, mas tinha medo de matá-la com um abraço e só.
Porque sabia que um abraço era ansiado mutuamente, mas, além disso, ah, além disso não sabia nada. Nunca saíra daqui, nunca vira nada novo, nunca mudara de vida. Sua vida se mantivera com uma lacuna pelo ano que se passara, enquanto ele havia deixado sua vida, e fora embora. Ele era a lacuna em movimento e dele bastava isso.
E se, quando voltasse lacuna, tivesse mudado, e não mais se encaixasse no contexto?
E se, quando voltasse, gostasse mais de austríacos, e não mais dele?